quarta-feira, 1 de maio de 2013

Adoção e homossexualidade!

Esses dias, ao entrar no Facebook, me deparei  com uma foto que continha a seguinte situação:
Um homem, uma mulher e duas crianças, e sua legenda dizia: Isto é uma família!
Na segunda imagem aparecia um cachorro, uma cadela e vários filhotes, e sua legenda dizia: Até isto é uma família!
Na terceira imagem havia dois homens e um bebê, e sua legenda dizia: Isto é apenas dois caras e uma criança.
Primeiramente, o mais decepcionante é a fata de senso crítico que as pessoas possuem. Na maioria das vezes, estas, simplesmente compartilham coisas que acham interessante, porém, muitas vezes nem pensam a respeito do assunto, apenas seguem o fluxo.
Enfim, talvez não seja necessário considerar preconceituosa a atitude de compartilhar esta imagem, pois é muito provável que esta pessoa não tenha compartilhado uma ideia consciente. Mas e o autor da foto? O que questionar?
Para começar, se olharmos no dicionário, o significado da palavra "família", encontraremos a definição de que família são pessoas do mesmo sangue que fazem parte de um determinado grupo, ou seja, pai biológico, mãe biológica, tio biológico, irmão biológico, entre outros. Com certeza, muitas pessoas não aceitariam tal definição. Família certamente é algo muito maior que isso, independente da definição que tenha no Aurélio. O que realmente importa, é o afete, o amor, o cuidado, o carinho, e todos os outros sentimentos dignos que são compartilhados em um grupo de indivíduos. É isso que fortalece o laço, é isso que dá origem a uma família. Pais separados, mãe viúva, vó com papel de mãe, madrinha... não existe um formato correto, um padrão, esta composição familiar que as pessoas definem como tradicional e correto foi criado pelo ser humano, baseado em interesses políticos, que estão claramente descritos nos registros históricos. E só para esclarecer, de acordo com os padrões, o coletivo de cachorro não é denominado família, e sim matilha. É claro que isso não significa dizer que não poderíamos, informalmente considerar como tal, pois realmente muitas vezes estes animais possuem atos de amor entre si, e com as outras espécies, muito mais honrosos do que muitos seres humanos.
Ser contra a adoção de homossexuais é uma grande hipocrisia e um ato totalmente desumano. "Ser criado por duas pessoas do mesmo sexo, poderá afetar a criança, deixá-la sem referências", estes são alguns argumentos de quem vai contra este tipo de adoção. Mas e em um orfanato, qual será a referência materna? A tia da cantina? E referência paterna? o Jardineiro? Não é o sexualidade das pessoas que forma um bom cidadão, e sim o caráter, a boa formação, o tempo perdido em longos diálogos, o atentamento quanto a particularidade de cada criança, e o amor. Será que o maior medo quando se pensa em adoção gay, é que a criança possa  vir a optar pela mesma condição dos pais? Que bom, pois quem sabe assim, ele adquira a homossexualidade junto a atitudes humanas, a sensibilidade, a atos de coragem. Se resolver ser hétero, tão bom quanto, pois o que vai fazer deste indivíduo alguém de valor, é o exemplo que teve em casa em relação aos pais como pessoa, aos pais perante a sociedade. O que ele vai lembrar é como seu pai age no trabalho, se é honesto, ou como corrigiu seu erro, se colocando em seu lugar, e não apenas sendo autoritário achando que sempre está certo pelo simples fato de ser mais velho ou porque o colocou no mundo.
O mais importante que deve ser sempre lembrado, é de que nunca existirá a certeza de que a família que recebe uma criança em casa, realmente vai ser a melhor família, ou vai ser aquela que irá suprir todas as necessidades de seu filho. Mas existe uma certeza que não se deve esquecer, é de que quando se nega o direito a um gay de adotar uma criança, esta mesma, na grande maioria dos casos, um dia foi gerada e rejeitada por héteros.

Lara França